Subject: Mudanças no PHP6 serão polêmicas

Para aqueles que estão desenvolvendo o projeto final em php, bom dar

um olhada...Att,

Giselle Marques

A versão atual do PHP é a 5.1.6 mas o núcleo de desenvolvimento da

linguagem já trabalha na versão 6. Da versão 4 para a 5 da plataforma

ocorreram modificações profundas, tanto que muitos scripts deixaram

de funcionar. Isso ocasionou uma série de transtornos para

desenvolvedores, prestadores de serviço e usuários da linguagem. E,

principalmente, um atraso muito grande na adoção da versão 5. É

comum, quando se contrata um servidor de hospedagem, encontrar

suporte ao PHP4 e ao PHP5 (este último normalmente em suporte Beta)

pois existe uma preocupação dos prestadores de serviço em suportar os

scripts mais antigos, que ainda são maioria.

More...A versão 6, que gera muitas discussões nas listas de desenvolvimento

oficiais do PHP, pode retirar muitas características da plataforma em

uma operação de enxugamento para torná-la mais prática de ser usada.

O problema, novamente, é a compatibilidade legada. Com as

características que devem ser abandonadas muitos scripts escritos

para as versões 4 e 5 podem, outra vez, parar de funcionar. Enquanto

a equipe que desenvolve o PHP está obviamente preocupada em tornar a

linguagem mais profissional fica a dúvida se essas modificações

constantes podem afetar a credibilidade e a adoção do PHP como

ferramenta de desenvolvimento.

A notícia de que mudanças no PHP6 poderiam criar incompatibilidade

com o legado das versões 4 e 5 surgiu de um dos desenvolvedores da

linguagem, Derick Rethans. Ele afirmou publicamente que, entre outras

coisas, o PHP6 dará suporte ao Unicode. Isso tornaria as aplicações

escritas em PHP mais internacionalizáveis, aumentando a flexibilidade

do que pode ser escrito com a plataforma. Entretanto, ao contrário

dessa modificação, as outras propostas retiram características que,

quando usadas por scripts de outras versões, podem ocasionar em erros

de execução paralisando os serviços. Vamos discutir aqui algumas das

modificações mais profundas já propostas e seu possível impacto sobre

as aplicações existentes escritas em PHP. Entre o que está planejado

para mudar no PHP6 aparece:

1-Remoção completa de register_globals

Desde a versão 4 do PHP fala-se em abandonar essa característica

assim programadores mais experientes já produzem código sem usá-la.

Ainda que aplicativos escritos por desenvolvedores menos preocupados

possam deixar de rodar na versão 6 o impacto disso dever ser pequeno

sobre os aplicativos profissionais.

2-Remoção de magic_quotes_*

Boa parte dos programadores PHP sequer as usa e seu abandono já era

discutido há muito tempo. Deve ocasionar pouco impacto sobre a

plataforma.

3-O PHP6 deve incluir um mecanismo para que os desenvolvedores

desliguem opções do ambiente que o administrador do site tenha

deixado ligadas por padrão, e vice-versa.

Aqui vemos luzes vermelhas, pois os usuários não deveriam poder

alterar opções do sistema sem o uso de um mecanismo que limite o que

pode ser alterado, nos moldes do Apache. Não há indicação de que esse

sistema vá existir o que pode gerar a situação incômoda do

desenvolvedor administrar mais o sistema do que o próprio

administrador. É apenas uma suspeita de nossa equipe que essa

característica vá trazer problemas, mas a possibilidade está em

aberto.

4-Remoção do safe_mode e foco no uso de open_basedir

O open_basedir é mais restritivo que o safe_mode e por isso permite

uma flexibilidade maior, entretanto em servidores que armazenem

diversos sites distintos (que é o caso mais comum na internet) o

compartilhamento de scripts pode tornar-se problemático. Ponto para a

segurança, mas os administradores de sistemas com PHP6 terão que suar

um pouco mais a camisa.

5-Remoção de tudo que foi marcado como desatualizado desde o PHP 3/4

Muitos scripts, principalmente os mais "antigos" vão parar de

funcionar definitivamente, exigindo que o código seja revisado e

reescrito. Somando à isso o fato de querer aproveitar as novas

funcionalidades vai haver muita gente decidindo que a migração não

vale a pena ou que é melhor escrever a aplicação do zero do que ficar

tapando buracos em código legado.

6-Tornar os identificadores sensíveis à caixa do texto

Aqui haverá um problema para desenvolvedores de Windows, que podem

não estar acostumados com essa característica já existente em

diversas outras linguagens, como o C/C++, por exemplo.

Desenvolvedores UNIX não sentirão diferença pois nessa classe de

sistema operacional a sensibilidade à caixa é padrão. Nesse aspecto

os hábitos antes alimentados pelo PHP podem exigir adaptação de parte

dos desenvolvedores. Além disso, scripts escritos com pouco cuidado

podem parar de funcionar.

7-Remoção de vários aliases de funções

Scripts que fazem uso desses aliases não irão funcionar na nova

versão do PHP. É uma simplificação boa, já que é melhor ter apenas um

nome para cada coisa, e vai reduzir a complexidade do

desenvolvimento. Mas outra vez os desenvolvedores terão que optar

entre permanecer com uma versão antiga da linguagem ou trabalhar para

modificar o código existente.

Essas são as principais modificações propostas para a versão 6 do

PHP, que irão exigir cuidado dos profissionais que decidam pelo

upgrade em seus servidores. Entretanto não são as únicas, mmuitas

outras propostas e suas conseqüências podem ser observadas aqui.

Certamente elas devem atrasar a adoção da nova versão, como aconteceu

com o PHP5. Na versão 5 muito foi feito no sentido de tornar a

linguagem orientada à objetos. Isso permite que os programadores

escrevam aplicações mais complexas e maduras, mas as

incompatibilidades com o legado das versões 3 e 4 do PHP foram um

grande obstáculo para a adoção do PHP5. De tal sorte que o PHP5 ainda

não tornou-se o padrão para as aplicações PHP no mundo, havendo uma

forte presença do PHP4 no mercado.

O fato do cPanel demorar cerca de 6 meses para retirar do estágio

Beta qualquer modificação na plataforma PHP irá atrasar a migração de

boa parte dos usuários. Muitos scripts livres e gratuitos que são

usados por uma parte grande do mercado, cujos administradores não são

programadores e usam código de terceiros, podem demorar para serem

migrados para o PHP6 paralisando ainda mais o movimento de migração

para a nova versão. As mudanças da versão 4 para a 5 obrigaram muitos

desenvolvedores a reescrever seus scripts do zero e as quebras de

suporte legado propostas para a versão 6 irão deixar muitos

programadores descontentes.

Ainda que os aplicativos desenvolvidos para o PHP4 que não tenham

recebido adaptação para a versão 5 possam ser reescritos ou adaptados

diretamente para a versão 6 é impossível negar que os programadores

ficarão desconfiados. Começar os trabalhos para levar seus scripts

para a versão 6 valerá a pena? Haverá outra quebra de suporte legado

em uma futura versão 7? Essas perguntas agora encontram-se atrás de

uma cortina de fumaça e devem levar algum tempo para serem

respondidas. Talvez o mercado só comece a migrar realmente para o

PHP6 quando o grupo que desenvolve a linguagem comprometer-se a

manter suporte para uma nova versão. Podem se passar 2 ou 3 anos até

que uma migração forte para a nova versão 6 seja verificada no

mercado e até lá provavelmente poucos decidirão investir tempo e

dinheiro para adaptar scripts antigos para a versão 5, dando uma

sobrevida inusitada ao PHP4.

Essas mudanças na plataforma PHP que causam falta de compatibilidade

com aplicações legadas são reflexos de um projeto pouco estruturado.

A mudança de foco do PHP, desde seu nascimento até hoje, também

contribuiram para que mudanças tão profundas fossem levadas à cabo. E

é indiscutível que esse tipo de acontecimento abala o respeito que o

mercado tem por dada solução. Essas guinadas bruscas demandam

retrabalho de profissionais cuja hora de serviço não é das mais

baratas. Produtos de empresas consolidadas, como Microsoft, Oracle, e

outras, raramente colocam seus clientes em posições tão

desconfortáveis em tão curto espaço de tempo. Esse panorama deixará

muitos tomadores de decisão avessos ao PHP ainda que as mudanças

efetuadas sejam reconhecidamente necessárias e bem vindas pelos

profissionais técnicos.

Em uma análise mais profunda esse tipo de situação pode servir para o

pessoal do Software Livre repensar um pouco mais a forma como grandes

projetos é manejada. Não são raros os casos de projetos livres que

obrigaram seus usuários a passarem pelo mesmo tipo de situação que o

PHP. O Drupal, por exemplo, CMS usado aqui no Meiobit é um exemplo de

aplicação que, de uma versão para outra, tornou todos os seus módulos

incompatíveis e exigiu que programadores e usuários fizessem

malabarismos. Podemos citar também o Firefox, que na versão 2 obrigou

os criadores de extensões a adaptar suas criações à uma nova API. São

exemplos para o SL de que talvez seja necessário um comprometimento

maior com certas políticas tipicamente empresariais para manter seu

mercado e sua comunidade.

link: http://www.meiobit.com/destaque/mudancas_no_php6_serao_polemicas